Nesta
sexta edição, a Classificação TNM da maioria das localizações
primárias dos tumores permaneceu inalterada, em relação
à quinta edição1, ou sofreu somente mínimas alterações,
seguindo o preceito básico de manter-se a estabilidade da
classificação ao longo do tempo.As modificações e adições
refletem tanto os novos dados sobre o prognóstico como os
novos métodos para avaliá-lo2. Algumas das modificações
apareceram como propostas no Suplemento da Classificação
TNM de 20013. Evidências posteriores justificaram
a sua incorporação na classificação.
As maiores modificações foram em carcinomas do fígado, trato
biliar e pâncreas, mesotelioma pleural, tumores ósseos,
melanoma maligno da pele, tumores oftálmicos e classificação
dos linfonodos regionais no carcinoma da mama. São incluídos
os tumores da cavidade nasal. Existem algumas alterações
na classificação dos tumores da cabeça e pescoço. Os fatores
de risco para tumores trofoblásticos gestacionais foram
modificados de acordo com as recomendações da FIGO (Federação
Internacional de Ginecologia e Obstetrícia). Aparecem novas
subcategorias nas classificações dos tumores gástricos e
da próstata e no grupo de estadiamento do carcinoma colo-retal.
Também são incluídos esquemas para o registro da avaliação
de linfonodos sentinelas e células tumorais isoladas nos
linfonodos regionais e em localizações à distância. A definição
do símbolo y para casos classificados durante ou após o
tratamento inicial multimodal, foi melhor esclarecido.
Como ocorreu com a quinta edição do TNM, toda a classificação
da UICC - critérios, notações e agrupamento por estádios
- é idêntica àquela publicada pelo American Joint Committee
on Cancer (AJCC)4. Isto é o resultado da nossa
intenção de se ter somente uma padronização e reflete os
esforços cooperativos feitos pelos comitês nacionais da
classificação TNM para se alcançar uniformidade neste campo.
Para evitar ambigüidades, nós recomendamos que os usuários
citem, na sua lista de referências, o ano da publicação
da classificação TNM que estão utilizando.
Encontra-se à disposição, em inglês, no site da União Internacional
contra o Câncer, uma página com as perguntas e respostas
(TNM FAQ´s)
mais freqüentes, bem como um formulário eletrônico (TNM
Helpdesk) para enviar questões ou comentários sobre
esta edição da Classificação TNM.
O Projeto Fatores Prognósticos para a Classificação TNM
da UICC foi instituído como novo processo para avaliar propostas
no sentido de melhorar a Classificação TNM. Esses objetivos
de procedimento com uma abordagem sistemática e contínua
são compostos de dois braços: (1) procedimentos endereçados
pelos investigadores com propostas formais; (2) pesquisa
periódica na literatura de artigos relacionados à melhoria
do TNM. As propostas e resultados da pesquisa da literatura
vão ser avaliados por membros experientes da UICC assim
como por membros do comitê de Fatores Prognósticos do TNM.
O American Joint Committee on Cancer (AJCC) e outros comitês
nacionais do TNM vão participar desse processo. Mais detalhes
e um ckecklist que vai facilitar a formulação de propostas
podem ser obtidos de education@uicc.org.
International Union
Against Cancer (UICC)
3, rue du Conseil-Général
Ch-1205 Geneva, Switzerland
Fax 41 22 8091810
1 International Union Against Cancer (UICC):
TNM Classification of Malignant Tumours.
2 International Union Against Cancer (UICC):
Prognostic Factors in Cancer. 2nd ed
Gospodarowicz MK, Henson DE, Hutter RVP, et al., eds. New
York: Wiley; 2001.
3 International Union Against Cancer (UICC):
TNM Supplement. A commentary on uniform use. 2nd ed Wittekind
Ch, Henson DE, Hutter RVP, Sobin LH, eds. New York; 2001
4 Greene FL, Page D, Morrow M, Balch C, Haller
D, Fritz A, Fleming I, eds. AJCC Cancer Staging Manual 6th
ed. New York: Springer; 2002
| PREFÁCIO
DA TRADUÇÃO PARA O PORTUGUÊS |
Para manter o significado mais próximo e fiel ao original
e, ao mesmo tempo, utilizar a terminologia corrente no Brasil,
fizemos pequenas adaptações relacionadas à nomenclatura
das topografias. Foi utilizada como referência a última
edição em português da Classificação Internacional de Doenças
para Oncologia - CID-O/2-, uma vez que os códigos utilizados
não sofreram alteração na 3ª edição. Desta forma, há pequenas
alterações em relação à edição anterior do TNM em português.
Outra adaptação está relacionada à utilização de siglas
e abreviaturas em português quando há diferença entre português
e inglês, mantendo entre colchetes a sigla em inglês referente
às localizações de metástases à distância (p.ex.: Cerebral
CER [BRA] (C71)) e nas abreviaturas. Esta apresentação das
siglas tem o objetivo de facilitar a identificação quando
forem usados dados para comparações com publicações internacionais.
No entanto, a sigla em inglês foi preservada quando for
de uso corrente (PSA) ou tiver significado com o termo em
português. Alguns termos foram mantidos no inglês, tendo
em vista que este é o modo como são utilizados no Brasil.
Nesses casos, contudo, sua tradução consta como nota do
tradutor (NT).
Esta publicação é uma iniciativa do Instituto Nacional de
Câncer (INCA), órgão do Ministério da Saúde responsável
por desenvolver e coordenar ações integradas para a prevenção
e controle do câncer no Brasil. A disponibilização de informações
técnico-científicas e, particularmente, a edição do presente
volume pretende contribuir para o treinamento e aperfeiçoamento
de recursos humanos e, conseqüentemente, para a assistência
integral de qualidade em consonância com as diretrizes internacionais
de controle do câncer.
Os Editores agradecem a grande ajuda recebida dos membros
do Comitê do Projeto Fatores Prognósticos para a Classificação
TNM e os comitês nacionais e as organizações internacionais
listados. O Professor Paul Hermanek continua a fornecer
encorajamento e críticas valiosos.
A sexta edição da Classificação TNM é o resultado de numerosos
encontros dos consultores editoriais, organizados e apoiados
pelas secretarias da UICC e AJCC.
Esta publicação só se fez possível pela subvenção HR3/CCH013713
e HR3/CCH417470 do Centers for Disease Control and Prevention
(CDC) (EUA). Seu conteúdo é da responsabilidade exclusiva
dos autores e não representa, necessariamente, a opinião
oficial do CDC.
a autópsia, p. 15
c clínico, p. 7
C fator de certeza, p. 16
G graduação histopatológica, p. 14
CID-O [ICD-O] Classificação Internacional de Doenças para
Oncologia, 3a edição 2000
CTI [ITC] células tumorais isoladas, p.12 - 13
L invasão linfática, p. 16
m tumores múltiplos, p. 8 e 15
M metástase à distância
N metástase em linfonodo regional
p histopatológico, p. 7
r tumor recidivado, p. 15
R tumor residual após o tratamento, p. 17
sn linfonodo sentinela, p. 12
T extensão do tumor primário
V invasão venosa, p. 16
y classificação após tratamento inicial multimodal, p. 15
| COMITÊS
NACIONAIS E ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS |
AJCC The American Joint Committee on Cancer
BIJC The British Isles Joint TNM Classification Committee
CCCS Canadian Committee on Cancer Staging
DSK-TNM Deutshsprachiges TNM-Komitee
EORTC The European Organization for Research on Treatment
of Cancer
FIGO Fédération Internationale de Gynécologie et d'Obstétrique
FTNM The French TNM Group
IPSP The Italian Prognostic System Project
JJC The Japanese Joint Committee
| MEMBROS
DOS COMITÊS DA UICC ASSOCIADOS AO SISTEMA TNM
|
Em 1950, a UICC nomeou o Comitê para Nomenclatura dos Tumores
e Estatística. Em 1954, esse Comitê tornou-se conhecido
como Comitê para Classificação em Estádios Clínicos e Estatística
Aplicada, e, desde 1966, foi denominado Comitê para Classificação
TNM. Uma vez que novos fatores prognóstico foram agregados
à classificação, o Comitê foi renomeado, em 1994, como Comitê
do Projeto Fatores Prognósticos para a Classificação TNM.
Trabalharam nesses Comitês os seguintes membros:
Anderson, W.A.D. EUA
Baclesse, F. França
Badellino, F. Itália
Barajas-Vallejo, E. México
Benedet, J.L. Canadá
Blinov, N. URSS
Bucalossi, P. Itália
Burn, I. Reino Unido
Bush, R. S. Canadá
Carr. D. T. EUA
Copeland, M.M. EUA
Costachel, O. Romênia
Delafresnaye, J. França
Denis, L. Bélgica
Denoix, P. França
Fisher, A. W. Alemanha
Fleming, I.D. EUA
Gentil, F. Brasil
Ginsberg, R. Canadá
Gospodarowicz, M. Canadá
Greene, F.L. EUA
Hamperl, H. Alemanha
Harmer, M.H. Reino Unido
Hayat, M. França
Henson, D.E. EUA
Hermanek, P. Alemanha
Hultberg, S. Suécia
Hutter, R.V.P. EUA
Ichikawa, H. Japão
Imai, T. Japão
Ishikawa, S. Japão
Junqueira, A.C.C. Brasil
Kasdorf, H. Uruguai
Kottmeier, H.L. Suécia
Koszarowski, T. Polônia
Levene, A. Reino Unido
Lima-Basto, E. Portugal
Logan, W.P.D. Reino Unido
Mackillop, W. Canadá
McWhirter, R. Reino Unido
Morgan, M. Reino Unido
Naruke, T. Japão
O'Sullivan, B. Canadá
Perazzo, D.L. Argentina
Perez-Modrego, S. Espanha
Perry, I.H. EUA
Rakov, A. I. URSS
Roxo-Nobre, M.O. Brasil
Sellers, A. H. Canadá
Sobin, L.H. EUA
Spiessl, B. Suíça
Suemasu, K. Japão
Van Der Werf.-Messing, B. Holanda
Wagner, R.I. URSS
Watson, T.A. Canadá
Wittekind, Ch. Alemanha
| A
História do Sistema TNM |
O Sistema TNM para a classificação dos tumores malignos
foi desenvolvido por Pierre Denoix (França), entre os anos
de 1943 e 1952.1
Em 1950, a UICC nomeou um Comitê de Nomenclatura e Estatística
de Tumores e adotou, como base para seu trabalho na classificação
do estádio clínico, as definições gerais de extensão local
dos tumores malignos sugeridas pelo Sub-Comitê de Registros
de Casos de Câncer e Apresentação Estatística, da Organização
Mundial da Saúde (OMS).2
Em 1953, o Comitê da UICC realizou um encontro conjunto
com a Comissão Internacional de Estadiamento e de Apresentação
de Resultados do Tratamento do Câncer, indicada pelo Congresso
Internacional de Radiologia. Foi conseguido um acordo no
que diz respeito à técnica geral de classificação pela extensão
anatômica da doença, usando o Sistema TNM.
Em 1954, a Comissão de Pesquisa da UICC criou um Comitê
Especial, o Comitê de Estadiamento Clínico e Estatística
Aplicada, para 'prosseguir os estudos nesse campo e estender
a técnica geral de classificação do câncer para todas as
localizações anatômicas'.
Em 1958, o Comitê publicou suas primeiras recomendações
para a classificação em estádios clínicos dos cânceres da
mama e laringe e para a apresentação dos resultados.3
Uma segunda publicação, em 1959, apresentou propostas revisadas
para o câncer de mama, para o uso clínico e avaliação em
um período de 5 anos (1960-1964).4
Entre 1960 e 1967, o Comitê publicou nove brochuras descrevendo
propostas de classificação para vinte e três localizações
primárias. Foi recomendado que as propostas de classificação
para cada localização anatômica fossem submetidas a ensaios
clínicos prospectivos ou retrospectivos por um período de
5 anos.
Em 1968, essas brochuras foram reunidas em um livrete, o
Livre de Poche5 (livro de bolso), e, um ano mais
tarde, um livrete complementar foi publicado, pormenorizando
recomendações para o estabelecimento de áreas de estudo,
para a apresentação de resultados finais e para a determinação
e expressão de taxas de sobrevida.6 O Livre de
Poche foi, em seguida, traduzido para onze idiomas.
Em 1974 e 1978, foram publicadas a segunda e a terceira
edições7, 8 contendo classificações de novas
localizações anatômicas e aperfeiçoamentos das classificações
anteriormente publicadas. A terceira edição foi aumentada
e revisada em 1982.
Ela continha novas classificações para alguns tumores da
infância. Isso foi realizado em colaboração com La Société
Internationale d'Oncologie Pédiatrique (Sociedade Internacional
de Oncologia Pediátrica - SIOP). Em 1985, uma classificação
dos tumores oculares foi publicada separadamente.
Com o passar dos anos, alguns usuários introduziram variações
nas regras de classificação de certas localizações anatômicas.
A fim de corrigir tal desenvolvimento, a antítese da padronização,
os comitês nacionais do TNM, em 1982, concordaram em formular
um único TNM. Vários encontros foram realizados para unificar
e atualizar as classificações existentes, bem como desenvolver
outras. O resultado foi a quarta edição do TNM.9
Em 1993, o Projeto publicou o Suplemento da Classificação
TNM.10 O propósito deste trabalho foi promover
o uso uniforme desta classificação através de explanações
detalhadas das regras do sistema TNM com exemplos práticos.
Ele também incluiu propostas de novas classificações e expansões
opcionais de categorias selecionadas. Uma segunda edição
urgiu em 2001.11
Em 1995, o Projeto publicou Fatores Prognósticos do Câncer,12
uma compilação e discussão sobre os fatores prognósticos
do câncer, anatômicos e não anatômicos, para cada localização
anatômica. Uma segunda edição surgiu em 2001.13
A presente edição (6ª) contém as regras de classificação
e estadiamento que correspondem exatamente àquelas que aparecem
na sexta edição do Manual para Estadiamento do Câncer, da
AJCC (2002)14, e tem a aprovação de todos os
comitês nacionais do TNM (ver lista), junto com os nomes
dos membros dos comitês da UICC associados ao Sistema TNM.
A UICC reconhece que, para a estabilidade da Classificação
TNM, há a necessidade de que sejam acumulados dados de uma
maneira ordenada por um período razoável de tempo. Da mesma
forma, é intenção que as classificações publicadas neste
livrete devam permanecer inalteradas até que grandes avanços
no diagnóstico ou tratamento, relevantes para uma determinada
localização anatômica, requeiram uma reconsideração da atual
classificação.
Para desenvolver e sustentar um sistema de classificação
aceitável para todos os usuários há a necessidade de uma
ligação próxima de todos os comitês nacionais e internacionais.
Somente dessa forma todos os oncologistas estarão aptos
a usar uma 'linguagem comum' na comparação de seu material
clínico e na avaliação dos resultados do tratamento. O objetivo
contínuo da UICC é alcançar o consenso numa classificação
da extensão anatômica da doença.
1 Denoix, P.F.: Bull. Inst. Nat. Hyg (Paris)
1944;1:69. 1944;2:82. 1950;5:81. 1952; 7:743.
2 World Health Organization Technical Report
Series, nº 53, July 1952, pp. 47-48.
3 International Union Against Cancer (UICC),
Committee on Clinical Stage Classification and Applied Statistics:
Clinical stage classification and presentation of results,
malignant tumours of the breast and larynx. Paris, 1958.
4 International Union Against Cancer (UICC),
Committee on Stage Classification and Applied Statistics:
Clinical stage classification and presentation of results,
malignant tumours of the breast. Paris, 1959.
5 International Union Against Cancer (UICC):
TNM Classification of malignant tumours. Geneva, 1968.
6 International Union Against Cancer (UICC):
TNM General Rules. Geneva, 1969.
7 International Union Against Cancer (UICC):
TNM Classification of malignant tumours. 2nd ed. Geneva,
1974.
8 International Union Against Cancer (UICC):
TNM Classification of malignant tumours. 3rd ed M.H. Harmer
(editor). Geneva, 1978, ampliada e revisada em 1982.
9 International Union Against Cancer (UICC):
TNM Classification of malignant tumours. 4th ed. P. Hermanek,
L.H. Sobin (editors). Springer, Berlin Heidelberg New York
Toronto Tokyo, 1992.
10 International Union Against Cancer (UICC):
TNM Supplement 1993. A commentary on uniform use. P. Hermanek,
D.E. Henson, R.V.P. Hutter, L.H. Sobin (editors). Springer,
Berlin Heidelberg New York Tokyo, 1993.
11 International Union Against Cancer (UICC):
TNM Supplement. A commentary on uniform use. 2nd ed. Wittekind
Ch, Henson DE, Hutter RVP, Sobin LH, eds. New York; 2001.
12 International Union Against Cancer (UICC):
Prognostic factors in cancer. P. Hermanek, M.K. Gospodarowicz,
D.E. Henson, R.V.P. Hutter L.H., Sobin (editors). Springer,
Berlin Heidelberg New York Tokyo, 1995.
13 International Union Against Cancer (UICC):
Prognostic factors in cancer. 2nd ed Gospodarowicz MK, Henson
DE, Hutter RVP, O´Sullivan B, Sobin LH, Wittekind Ch, eds.
New York: Wiley; 2001.
14 Greene FL, Page D, Morrow M, Balch C, Haller
D, Fritz A, Fleming I, eds. AJCC Cancer Staging Manual 6th
ed. New York: Springer; 2002.
| Os
Princípios do Sistema TNM |
TNM
- Classification of Malignant Tumours é o sistema
mais usado para a classificação de tumores malignos e a
descrição de sua extensão anatômica, desenvolvido e publicado
pela União Internacional contra o Câncer - UICC. A quinta
e última edição foi traduzida pelo INCA e está disponível
pela primeira vez para consulta online.
A prática de se dividir os casos de câncer
em grupos, de acordo com os chamados estádios, surgiu
do fato de que as taxas de sobrevida eram maiores para os
casos nos quais a doença era localizada do que para
aqueles nos quais a doença tinha se estendido além
do órgão de origem. Esses grupos eram freqüentemente
referidos como casos iniciais e casos avançados,
inferindo alguma progressão regular com o passar
do tempo. Na verdade, o estádio da doença,
na ocasião do diagnóstico, pode ser um reflexo
não somente da taxa de crescimento e extensão
da neoplasia, mas, também, do tipo de tumor e da
relação tumor-hospedeiro.
O estadiamento do câncer é consagrado por tradição, e para
o propósito de análise de grupos de pacientes é freqüentemente
necessário usar tal método. A UICC acredita que é importante
alcançar a concordância no registro da informação precisa
da extensão da doença para cada localização anatômica, porque
a descrição clínica precisa e a classificação histopatológica
(quando possível) das neoplasias malignas podem interessar
a um número de objetivos correlatos, a saber:
-
Ajudar
o médico no planejamento do tratamento
- Dar
alguma indicação do prognóstico
- Ajudar
na avaliação dos resultados de tratamento
- Facilitar
a troca de informações entre os centros de tratamento
-
Contribuir
para a pesquisa contínua sobre o câncer humano
O
principal propósito a ser conseguido pela concordância internacional
na classificação dos casos de câncer pela extensão da doença
é fornecer um método que permita comparações entre experiências
clínicas sem ambigüidade.
Existem muitas bases ou eixos de classificação dos tumores,
por exemplo: a localização anatômica e a extensão clínica
e patológica da doença, a duração dos sinais ou sintomas,
o gênero e idade do paciente, o tipo e grau histológico. Todas
essas bases ou eixos representam variáveis que, sabidamente,
têm uma influência na evolução da doença. O sistema TNM trabalha
prioritariamente com a classificação por extensão anatômica
da doença, determinada clínica e histopatologicamente (quando
possível).
A primeira tarefa do clínico é fazer uma avaliação do prognóstico
e decidir qual o tratamento mais efetivo a ser realizado.
Este julgamento e esta decisão requerem, entre outras coisas,
uma avaliação objetiva da extensão anatômica da doença. Isto
feito, a tendência é divergir do estadiamento, quanto a uma
descrição significativa, com ou sem alguma forma de sumarização.
Para conseguir os objetivos estabelecidos, um sistema de classificação
necessita que:
- Os
princípios básicos sejam aplicáveis a todas as localizações
anatômicas, independentemente do tratamento.
- Possa
ser complementado, mais tarde, por informações que se tornem
disponíveis pela histopatologia e/ou cirurgia.
O
Sistema TNM preenche estes requisitos.
Regras
Gerais do Sistema TNM
O
Sistema TNM para descrever a extensão anatômica
da doença está baseado na avaliação
de três componentes:
T - a extensão do tumor primário
N - a ausência ou presença e
a extensão de metástase em linfonodos regionais
M - a ausência ou presença de
metástase à distância
A adição de números a estes três
componentes indica a extensão da doença maligna.
Assim temos:
T0,
T1, T2, T3, T4 | N0, N1, N2, N3 | M0, M1
Na
verdade, o sistema é uma 'anotação taquigráfica'
criada para descrever a extensão clínica de
um determinado tumor maligno.
As regras gerais aplicáveis a todos as localizações
anatômicas são:
1) Todos os casos devem ser confirmados microscopicamente.
Os casos que assim não forem comprovados devem ser
relatados separadamente.
2) Duas classificações são descritas
para cada localização anatômica, a saber:
a))
A classificação clínica (classificação clínica pré-tratamento),
designada TNM (ou cTNM), tem por base as evidências conseguidas
antes do tratamento. Tais evidências surgem do exame físico,
diagnóstico por imagem, endoscopia, biópsia, exploração
cirúrgica e outros exames relevantes;
b))
A classificação patológica (classificação histopatológica
pós-cirúrgica), designada pTNM, tem por base as evidências
conseguidas antes do tratamento, complementadas ou modificadas
pela evidência adicional conseguida através da cirurgia
e do exame histopatológico. A avaliação histopatológica
do tumor primário (pT) exige a ressecção do tumor primário
ou biópsia adequada para avaliar a maior categoria pT. A
avaliação histopatológica dos linfonodos regionais (pN)
exige a remoção representativa de nódulos para comprovar
a ausência de metástase em linfonodos regionais (pN0) e
suficiente para avaliar a maior categoria pN. A investigação
histopatológica de metástase à distância (pM) exige o exame
microscópico.
3)
Após definir as categorias T, N e M ou pT, pN e pM, elas podem
ser agrupadas em estádios. A classificação TNM e o grupamento
por estádios, uma vez estabelecidos, devem permanecer inalterados
no prontuário médico. O estádio clínico é essencial para selecionar
e avaliar o tratamento, enquanto que o estádio histopatológico
fornece dados mais precisos para avaliar o prognóstico e calcular
os resultados finais.
4) Se houver dúvida no que concerne à correta
categoria T, N ou M em que um determinado caso deva ser classificado,
dever-se-á escolher a categoria inferior (menos avançada).
Isso também será válido para o grupamento
por estádios.
5)No caso de tumores múltiplos simultâneos em um órgão, o
tumor com a maior categoria T deve ser classificado e a multiplicidade
ou o número de tumores deve ser indicado entre parênteses,
p. ex., T2(m) ou T2(5). Em cânceres bilaterais simultâneos
de órgãos pares, cada tumor deve ser classificado independentemente.
Em tumores de fígado, ovário e trompa de Falópio, a multiplicidade
é um critério da classificação T.
6) As definições das categorias TNM e do grupamento
por estádios podem ser adaptadas ou expandidas para
fins clínicos ou de pesquisa, desde que as definições
básicas recomendadas não sejam alteradas. Por
exemplo, qualquer T, N ou M pode ser dividido em subgrupos.
As Regiões e Localizações
Anatômicas
As localizações anatômicas nesta classificação estão listadas
pelo código da Classificação Internacional de Doenças para
Oncologia (CID-O, 3ª edição, Organização Mundial da Saúde,
Genebra, 200015).
15 Fritz A, Percy C, Jack A, Shanmugaratnam K, Sobin L, Parkin
DM, Whelan S, eds. WHO International Classification of Diseases
for Oncology ICD-O, 3rd ed. Geneva: WHO; 2000.
Cada localização anatômica é descrita sob os seguintes
títulos:
• Regras para classificação, com os procedimentos
para avaliar as categorias T, N e M
• Localizações e sub-localizações anatômicas, quando
apropriado
• Regiões anatômicas e sub-regiões,
quando apropriado
• Definição dos linfonodos regionais
• TNM - Classificação clínica
• pTNM - Classificação patológica
• Graduação histopatológica (G)
• Grupamento por estádios
• Resumo esquemático para a região ou
localização anatômica
TNM - Classificação
Clínica
As seguintes definições gerais são utilizadas:
T - Tumor Primário
TX
O tumor primário não pode ser avaliado.
T0 Não há evidência de tumor primário.
Tis Carcinoma in situ
T1, T2, T3, T4 Tamanho crescente e/ou extensão local
do tumor primário.
N
- Linfonodos Regionais
NX
Os linfonodos regionais não podem ser avaliados.
N0 Ausência de metástase em linfonodos regionais.
N1, N2, N3 Comprometimento crescente dos linfonodos regionais
Nota: A extensão direta do tumor primário
para o linfonodo é classificada como metástase
linfonodal. Metástase em qualquer linfonodo que não
seja regional é classificada como metástase
à distância.
M
- Metástase à Distância
MX
A presença de metástase à distância
não pode ser avaliada.
M0 Ausência de metástase à distância
M1 Metástase à distância
A
categoria M1 pode ser ainda especificada de acordo com as
seguintes notações*:
| Pulmonar
PUL (C34) |
Medula
óssea MO (C42.1) |
| Óssea
OSS (C40,41) |
Pleural
PLE (C38.4) |
| Hepática
HEP (C22) |
Peritoneal
PER (C48.1,2) |
| Cerebral
CER (C71) |
Supra-renal
ADR (C74) |
| Linfonodal
LIN (C77) |
Pele
CUT (C44) |
| Outras
OTH |
|
N.T.: * Para guardar fidelidade com o código internacional
do sistema TNM, manteve-se entre colchetes a abreviatura em
Inglês, correspondente a cada localização anatômica de metástase,
o que se repetirá doravante.
Subdivisões
do TNM
As subdivisões de algumas categorias principais estão disponíveis
para aqueles que necessitam de maior especificidade (p. ex.:
Tla, 1b, ou N2a, 2b).
pTNM - Classificação
Patológica
As seguintes definições gerais são utilizadas:
pT - Tumor Primário
pTX O tumor primário não pode ser avaliado histologicamente.
pT0 Não há evidência histológica
de tumor primário.
pTis Carcinoma in situ
pT1, pT2, pT3, pT4 Aumento crescente do tamanho e/ou extensão
local do tumor primário, comprovado histologicamente.
pN - Linfonodos Regionais
pNX Os linfonodos regionais não podem ser avaliados
histologicamente.
pN0 Não há, histologicamente, metástase
em linfonodos regionais.
pN1, pN2, pN3 Comprometimento crescente dos linfonodos regionais,
comprovado histologicamente.
Notas:
1. A extensão direta do tumor primário para os linfonodos é
classificada como metástase linfonodal.
2. Um nódulo tumoral no tecido conjuntivo de uma área de drenagem
linfática, sem evidência histológica de linfonodo residual,
é classificado na categoria pN como uma metástase em linfonodo
regional se o nódulo tem forma e contorno liso de um linfonodo.
Um nódulo tumoral com contornos irregulares é classificado na
categoria pT, isto é, extensão descontínua. Ele pode também
ser classificado como invasão venosa (classificação V).
3. Quando o tamanho for um critério para classificação pN, medir-se-á
a metástase e não todo o linfonodo.
4. Casos com micrometástases apenas, isto é, nenhuma metástase
maior que 0,2 cm, podem ser identificados com a adição de (mi),
p. ex., pN1 (mi) ou pN2 (mi). Linfonodo sentinela
O linfonodo sentinela é o primeiro linfonodo a receber a drenagem
linfática do tumor primário. Se ele contém tumor metastático
indica que outros linfonodos também podem conter tumor. Se ele
contém metástase tumoral indica que outros linfonodos podem
conter tumor. Se ele não contém tumor metastático, é improvável
que os outros linfonodos contenham tumor. Ocasionalmente existe
mais de um linfonodo sentinela. As designações que se seguem
são aplicáveis quando se faz a avaliação do linfonodo sentinela:
pNX (sn) O linfonodo sentinela não pode ser avaliado
pN0 (sn) Ausência de metástase em linfonodo sentinela
pN1 (sn) Metástase em linfonodo sentinela Células
tumorais isoladas
Células tumorais isoladas - CTI [ITC] são células tumorais isoladas
ou formando pequenos grupamentos celulares medindo menos de
0,2 mm em sua maior dimensão e que geralmente são detectados
por imuno-histoquímica ou métodos moleculares, mas que poderiam
ser identificadas com a coloração de rotina pela hematoxilina
e eosina (HE). As CTI [ITC] tipicamente não mostram evidência
de atividade metastática (p. ex., proliferação ou reação estromal)
ou penetração em paredes de seios linfáticos ou vasculares.
Os casos com CTI [ITC] em linfonodos ou em localizações à distância
devem ser classificados como N0 ou M0, respectivamente. O mesmo
se aplica para os casos com achados sugestivos de células tumorais
ou seus componentes por técnicas não morfológicas tais como
citometria de fluxo ou análise de DNA. Estes casos devem ser
analisados separadamente16. Sua classificação é como se segue:
16 Hermanek P, Hutter RVP, Sobin LH, Wittekind Ch. Classification
of isolated tumor cells and micrometastasis. Cancer 1999; 86:2688-2673.
pN0 Ausência de metástase histológica em linfonodo regional,
nenhum exame para identificação de célula tumoral isolada -
CTI [ITC]
pN0(i-) Ausência de metástase histológica em linfonodo regional,
achados morfológicos negativos para CTI [ITC]
pN0(i+) Ausência de metástase histológica em linfonodo regional,
achados morfológicos positivos para CTI [ITC]
pN0(mol-) Ausência de metástase histológica em linfonodo regional,
achados não-morfológicos negativos para CTI [ITC]
pN0(mol+) Ausência de metástase histológica em linfonodo regional,
achados não morfológicos positivos para CTI [ITC]
Os casos com células tumorais isoladas - CTI [ITC] ou examinados
para tal, em linfonodos sentinelas, podem ser classificadas
como se segue:
pN0 (i-) (sn) Ausência de metástase histológica em linfonodo
sentinela, achados morfológicos negativos para CTI [ITC]
pN0 (i+) (sn) Ausência de metástase histológica em linfonodo
sentinela, achados morfológicos positivos para CTI [ITC]
pN0 (mol-) (sn) Ausência de metástase histológica em linfonodo
sentinela, achados nãomorfológicos negativos para CTI [ITC]
pN0 (mol+) (sn)Ausência de metástase histológica em linfonodo
sentinela, achados nãomorfológicos positivos para CTI [ITC]
pM - Metástase à Distância
pMX A presença de metástase à distância
não pode ser avaliada microscopicamente.
pM0 Ausência de metástase à distância,
microscopicamente.
pM1 Metástase à distância, microscopicamente.
A categoria pM1 pode ser especificada do mesmo modo como a
M1.
As células tumorais isoladas encontradas
na medula óssea com técnicas morfológicas são classificadas
de acordo com o esquema para N, p. ex., M0(i+). Para os achados
não morfológicos, "mol" é usado em adição a M0, p. ex., M0(mol+).
Subdivisões do pTNM
As subdivisões de algumas categorias principais estão
disponíveis para aquelas que necessitam de maior especificidade(p.
ex.: pTla, 1b, ou pN2a, 2b).
Graduação Histopatológica
Na maioria das localizações anatômicas,
informações posteriores, relativas ao tumor
primário podem ser registradas sob os seguintes títulos:
G - Graduação Histopatológica
GX
O grau de diferenciação não pode ser
avaliado.
G1 Bem diferenciado
G2 Moderadamente diferenciado
G3 Pouco diferenciado
G4 Indiferenciado
Nota:
Os graus 3 e 4 podem ser combinados, em algumas circunstâncias,
como "G3-4, pouco diferenciado ou indiferenciado".
A classificação dos sarcomas de partes moles e de osso também
utiliza 'alto grau' e 'baixo grau'. Sistemas especiais de
graduação são recomendados para tumores da mama, corpo uterino
e fígado.
Símbolos Adicionais
Para a identificação de casos especiais na classificação
TNM ou pTNM, os símbolos m, y, r e a são utilizados.
Embora não alterem o grupamento por estádios,
eles indicam os casos que precisam ser analisados separadamente.
Símbolo m - O sufixo m, entre parênteses,
é usado para indicar a presença de tumores primários múltiplos
em uma única localização primária. Ver regra número 5 do TNM
Símbolo y - Nos casos onde a classificação
é realizada durante ou após uma terapêutica multimodal inicial,
as categorias cTNM ou pTNM, são identificadas por um prefixo
y. As categorias ycTNM ou ypTNM, representam a extensão real
do tumor no momento do exame. A categoria y não é uma estimativa
da extensão do tumor antes da terapia multimodal.
Símbolo r - Os tumores recidivados quando
estadiados após um intervalo livre de doença são identificados
pelo prefixo r.
Símbolo a - O prefixo a indica que a classificação
é determinada, pela primeira vez, por autópsia.
Símbolos Opcionais
L - Invasão Linfática
LX
- A invasão linfática não pode ser
avaliada.
L0 - Ausência de invasão linfática.
L1 - Invasão linfática
V
- Invasão Venosa
VX
- A invasão venosa não pode ser avaliada.
V0 - Ausência de invasão venosa.
V1 - Invasão venosa microscópica.
V2 - Invasão venosa macroscópica.
Nota:
O comprometimento macroscópico da parede das veias (sem tumor
intraluminar) é classificado como V2.
Fator C
O fator C, ou fator de certeza, reflete a validade da classificação
de acordo com os métodos diagnósticos empregados.
Seu uso é opcional.
As definições do fator C são:
C1 Evidência obtida por métodos diagnósticos padrões (p. ex.:
inspeção, palpação e radiografias convencionais; endoscopia
intraluminar para tumores de certos órgãos).
C2 Evidência obtida por métodos diagnósticos
especiais (p. ex. radiografias em projeções
especiais, tomografias, tomografia computadorizada [TC], ultra-sonografia,
linfografia, angiografia, cintilografia, ressonância
magnética nuclear [RMN], endoscopia, biópsia
e citologia).
C3 Evidência obtida por exploração cirúrgica,
incluindo biópsia e citologia.
C4 Evidência da extensão da doença, obtida
após cirurgia definitiva e exame histopatológico
da peça operatória.
C5 Evidência obtida por necrópsia
Exemplo: Graus de C podem ser aplicados às
categorias T, N e M. Um caso pode ser descrito como T3C2,
N2C1, M0C2.
A classificação clínica TNM é,
portanto, equivalente a C1, C2 e C3 em variáveis graus
de certeza, enquanto a classificação patológica
pTNM é, geralmente, equivalente a C4.
Classificação
do Tumor Residual (R)
A ausência ou presença de tumor residual após
o tratamento é descrita pelo símbolo R. Seu
uso é opcional.
Mais detalhes podem ser encontrados no Suplemento do TNM (ver
nota 11 do rodapé da página 3).
Geralmente, o TNM e o pTNM descrevem a extensão anatômica
do câncer sem considerar o tratamento. Eles podem ser
suplementados pela classificação R, que especifica
a situação tumoral após o tratamento.
Esta categoria de classificação reflete o resultado
do tratamento realizado, influencia os procedimentos terapêuticos
posteriores e é um forte preditor de prognóstico.
As definições das categorias R são:
RX A presença de tumor residual não pode ser
avaliada.
R0 Ausência de tumor residual.
R1 Tumor residual microscópico.
R2 Tumor residual macroscópico.
Grupamento por Estádios
A classificação pelo Sistema TNM consegue uma
descrição e armazenamento razoavelmente precisos
da extensão anatômica aparente da doença.
Um tumor com quatro graus de T, três graus de N e dois
graus de M terá 24 categorias TNM. Com a finalidade
de tabulação e análise, exceto em grandes
séries, é necessário condensar essas
categorias em um número conveniente de estádios
TNM.
O carcinoma in situ é categorizado como estádio
0; casos com metástase à distância, estádio
IV (exceto em determinadas localizações, como
por exemplo o carcinoma papilífero e folicular da tireóide).
O grupamento adotado deve assegurar, tanto quanto possível,
que cada grupo seja mais ou menos homogêneo, em termos
de sobrevida, e que as taxas de sobrevida destes grupos para
cada localização anatômica sejam distintas.
Para o agrupamento por estádios patológicos
estabelece-se que: quando o espécime cirúrgico
for suficiente para que o exame patológico avalie as
mais altas categorias T e N, a categoria M1 tanto pode ser
clínica (cM1) como patológica (pM1). Porém,
se houver a confirmação microscópica
de pelo menos uma metástase à distância,
a classificação é patológica (pM1)
e o estádio, também.
Resumo Esquemático
No final da classificação por cada localização anatômica,
como uma ajuda à memorização ou como um meio de referência,
é acrescentado um resumo esquemático dos principais pontos
que distinguem as categorias mais importantes. Essas definições
abreviadas não são completamente adequadas, e as definições
completas devem ser sempre consultadas.
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