METODOLOGIA

I. Fontes de informação

I.1 Registros de câncer

Os registros de câncer são centros de coleta, armazenamento, processamento e análise – de forma sistemática e contínua – de informações sobre pacientes ou pessoas com diagnóstico confirmado de câncer. Esses podem ser de base populacional (RCBP) ou de base hospitalar (RHC).

Os RHC têm como finalidade fornecer subsídios para a avaliação da atenção oncológica prestada pela instituição, auxiliar no planejamento de ações de saúde adequadas à realidade local, contribuir para as atividades de pesquisa e de vigilância epidemiológica. Além disso, são importante fonte de informação para os RCBP.

Nos RCBP, o principal objetivo é avaliar o impacto do câncer em uma determinada população. Os RCBP objetivam conhecer o número de casos novos (incidentes) por câncer, assim como suas distribuições e tendências temporais nas populações pertencentes às áreas geográficas por eles cobertas e, portanto, acompanhar a morbimortalidade por meio dos indicadores de incidência, na área onde o RCBP se situa.

Esta publicação conta com a colaboração de 25 RCBP e com a participação de 238 RHC informantes no ano de 2009, 250 no ano de 2010 e 240 no ano de 2011.

I.1.1 RCBP

Dos registros de câncer participantes, 19 estão localizados em capitais, um representa o Estado, um no Distrito Federal e quatro em municípios não capital. As informações aqui descritas referem-se à base de dados extraída em agosto de 2015. Encontram-se abaixo descritos os RCBP colaboradores e o respectivo período de informações consolidadas.

  • RCBP Aracaju (de 2005 a 2009).
  • RCBP Belém (de 2000 a 2003).
  • RCBP Belo Horizonte (de 2002 a 2006).
  • RCBP Campinas (de 2001 a 2005).
  • RCBP Campo Grande (de 2000 a 2003).
  • RCBP Cuiabá (de 2003 a 2007).
  • RCBP Curitiba (de 2006 a 2010).
  • RCBP Distrito Federal (de 2000 a 2002).
  • RCBP Florianópolis (de 2008 a 2010).
  • RCBP Fortaleza (de 2002 a 2006).
  • RCBP Goiânia (de 2005 a 2009).
  • RCBP Grande Vitória (de 2004 a 2008).
  • RCBP Jahu (de 1996 a 2012).
  • RCBP João Pessoa (de 2004 a 2008).
  • RCBP Manaus (de 2002 a 2006).
  • RCBP Natal (de 2001 a 2005).
  • RCBP Palmas (de 2000 a 2010).
  • RCBP Poços de Caldas (de 2007 a 2011).
  • RCBP Porto Alegre (de 2002 a 2006).
  • RCBP Recife (de 2003 a 2007).
  • RCBP Roraima (de 2003 a 2006).
  • RCBP Salvador (de 2001 a 2005).
  • RCBP Santos (2008).
  • RCBP São Paulo (de 2006 a 2010).
  • RCBP Teresina (de 2000 a 2002).

Para todos os 25 RCBP, exceto o RCBP de Santos, serão apresentadas informações sobre o número de casos novos, valores absolutos e taxas específicas por faixa etária, bem como a taxa bruta e ajustada por idade. Para a informação do período, os valores das taxas referem-se aos valores médios. O RCBP de Santos aparece somente na análise das taxas de incidência ajustadas por idade apresentadas nos gráficos. Isso se justifica pelo fato de o registro só possuir um ano de informação consolidada no momento da elaboração da atual publicação. Para os RCBP de Jahu e Palmas, todas as informações consolidadas disponíveis serão utilizadas, com a finalidade de tornar as informações das taxas mais consistentes.

I.1.2 RHC

Participam desta publicação todos os RHC que enviaram, para o IntegradorRHC, bases de dados consolidadas com casos que tiveram a primeira consulta para tratamento do tumor nos anos 2009, 2010 e 2011. As informações aqui descritas referem-se à base de dados extraída em 30 de maio de 2016. A tabela A apresenta o número de RHC existentes no país, de acordo com a habilitação na alta complexidade em oncologia, segundo a unidade da federação (UF) e a Região de localização. Também estão quantificadas as bases de dados enviadas pelos RHC para o período selecionado.

Tabela A: Hospitais com RHC, segundo UF e Região, por habilitação na alta complexidade em oncologia e quantitativo de bases de dados enviadas referentes aos anos de primeira consulta de 2009 a 2011
ESTADO/REGIÃO Hospitais habilitados em oncologia (SUS) Hospitais não habilitados em oncologia
Com
RHC
Número de base de
dados no IRHC
Habilitação
em oncologia
pediátrica
Com
RHC
Número de base de
dados no IRHC
2009 2010 2011 2009 2010 2011
ACRE 1 1 1 1 - 0 - - -
AMAZONAS 1 1 1 - 1 2 1 1 -
AMAPÁ 1 1 1 1 - 0 - - -
PARÁ 2 2 2 2 1 1 - - -
RONDÔNIA 1 - - - - 0 - - -
RORAIMA 1 1 1 1 - 0 - - -
TOCANTINS 2 2 2 2 - 0 - - -
NORTE 9 8 8 7 2 3 1 1 -
BAHIA 12 9 10 10 2 0 - - -
CEARÁ 9 9 9 8 2 4 - - 1
ALAGOAS 5 4 4 4 2 0 - - -
MARANHÃO 3 1 3 3 - 0 - - -
PARAÍBA 4 4 4 4 2 0 - - -
PERNAMBUCO 9 7 8 9 2 3 2 2 2
PIAUÍ 1 1 1 1 1 0 - - -
RIO GRANDE DO NORTE 5 5 5 5 2 0 - - -
SERGIPE 2 2 2 2 1 1 - - -
NORDESTE 50 42 46 46 14 8 2 2 3
DISTRITO FEDERAL 4 3 1 1 1 2 1 1 2
MATO GROSSO DO SUL 6 5 6 6 1 0 - - -
MATO GROSSO 5 5 5 4 2 1 - - -
GOIÁS 4 - 3 3 1 0 - - -
CENTRO-OESTE 19 13 15 14 5 3 1 1 2
ESPÍRITO SANTO 6 4 6 5 1 0 - - -
MINAS GERAIS *2 33 32 32 31 3 4 1 2 3
RIO DE JANEIRO 23 13 12 15 4 1 - - -
SÃO PAULO *4 69 65 71 62 26 13 *3 6 6 7
SUDESTE 131 114 121 113 34 18 7 8 10
PARANÁ 22 20 20 20 6 1 1 1 1
RIO GRANDE DO SUL 26 26 25 24 7 0 - - -
SANTA CATARINA 17 15 15 16 2 2 2 2 2
SUL 65 61 60 60 15 3 3 3 3
TOTAL 274 238 250 240 70 35 14 15 18

Classificação

As informações de incidência e morbidade hospitalar serão apresentadas a partir das classificações internacionais existentes tanto para crianças e adolescentes (Cici), quanto para adolescentes e adultos jovens (Esquema de Classificação para Tumores em Adolescentes e Adultos Jovens – Caaj) (Anexos A e B). As Informações de mortalidade serão apresentadas a partir da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, décima revisão (CID-10) (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 1997).

Incidência

Critérios de inclusão e exclusão

Foram coletados todos os casos com diagnóstico de câncer confirmado no ano da coleta. Incluíram-se os tumores de localização primária malignos, in situ ou invasores; os secundários ou metastáticos e os malignos de localização incerta (primários ou secundários). Não foram coletados as informações sobre os tumores benignos e daqueles de comportamento incerto – se benignos ou malignos –, exceto para alguns tumores de ovário e do Sistema Nervoso Central (SNC)1. Para os 25 RCBP incluídos nesta publicação, a coleta de dados foi realizada por busca ativa, passiva ou ambas.

Foram elegíveis os casos com diagnóstico de câncer confirmado por exames anatomopatológicos (histopatológicos e citopatológicos), hematológicos ou hemogramas, exploração cirúrgica, imagem, exame clínico, necropsia ou qualquer outro meio de diagnóstico, desde que com o aval do médico responsável pelo paciente ou pela informação dada e com residência comprovada na área de cobertura do RCBP.

Os casos identificados pela declaração de óbito foram confrontados com os arquivos do registro, e aqueles que não constavam do registro foram identificados. Retornou-se então à fonte notificadora para confirmação do caso. Os casos restantes foram incluídos como casos resgatados somente pela declaração de óbito (SDO).

Os 25 RCBP incluídos nesta publicação têm, como principais fontes notificadoras, hospitais de câncer, especializados e gerais (públicos ou privados), laboratórios de anatomia patológica, serviços de quimioterapia e radioterapia. Alguns incluem ainda serviços de hematologia, serviços de necropsia, asilos, clínicas dermatológicas, clínicas médicas, bem como informações obtidas dos sistemas nacionais de informação em saúde.

1 Válido para casos diagnosticados a partir de 2005, ano de vigência da edição atual (terceira) da Classificação Internacional de Doenças para a Oncologia (CID-O).

Classificação e codificação

Desde o ano de 2005, todos os RCBP utilizam a Classificação Internacional de Doenças para Oncologia, terceira edição (CID-O3) (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2000. Reimpressão 2005). Entre 1996 e 2004, a segunda edição da CID-O foi utilizada por todos os RCBP, à exceção de Recife, que a utiliza desde 1995, e Campinas, que, para o período entre 1991 e 1993, utilizou a primeira edição da CID-O e, a partir de 1994, a sua segunda edição (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1990; ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 1976, 1996).

Informações coletadas

Os 25 RCBP incluídos nesta publicação coletam, de forma rotineira, as seguintes variáveis:

  • Variáveis de identificação:
    • Nome do paciente.
    • Nome da mãe.
    • Número do prontuário e/ou número do exame.
  • Variáveis demográficas:
    • Sexo.
    • Cor da pele.
    • Data de nascimento.
    • Idade na data do diagnóstico.
    • Profissão.
  • Variáveis referentes ao tumor:
    • Ano de diagnóstico.
    • Endereço completo.
    • Localização primária do tumor.
    • Morfologia.
    • Meio de diagnóstico.
    • Extensão da doença.
    • Data do diagnóstico.
    • Data do óbito.
    • Tipo do óbito (por câncer e por não câncer).

Processamento

Dos 25 RCBP incluídos nesta publicação, 23 utilizaram o sistema para informatização dos dados do Sistema Informatizado para Registros de Câncer de Base Populacional (SisBasepop), versão Web (BPW), desenvolvido pelo INCA, desde o processo de entrada de dados até a seleção dos casos elegíveis (Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Campinas, Campo Grande, Cuiabá, Curitiba, Distrito Federal, Florianópolis, Fortaleza, Grande Vitória, Jahu, João Pessoa, Manaus, Natal, Palmas, Poços de Caldas, Porto Alegre, Recife, Roraima, Salvador, Santos e Teresina). Dois RCBP utilizaram sistema próprio (Goiânia e São Paulo).

Os dois RCBP que não utilizaram o BPW enviaram as informações já convertidas no formato estabelecido e na classificação própria para a Cici. Para a Caaj, as informações foram convertidas pela equipe técnica do INCA.

Morbidade hospitalar

Critérios de inclusão e exclusão

Para esta publicação, foram selecionados apenas os casos analíticos2, coerentes e validados, de comportamento maligno, segundo a CID-O3, cujo ano de primeira consulta na unidade hospitalar deu-se em 2009, 2010 e 2011, permanecendo na base de dados 26.115 casos de câncer na faixa etária de 0 a 29 anos.

As informações da base de dados referentes à localização topográfica e ao tipo histológico dos casos de câncer foram convertidas segundo a Cici (terceira edição) e o esquema da Caaj (2008) para os grupos etários de 0 a 19 anos e de 15 a 29 anos, respectivamente (Anexos A e B).

Dos 13.662 casos de 0 a 19 anos e dos 16.090 casos de 15 a 29 anos, 105 (0,8%) e 49 (0,3%) não se encaixaram na Cici e na Caaj, respectivamente. Dos 105 casos não qualificados de acordo com a Cici, 59,1% eram neoplasias codificadas como clinicamente tumores malignos e 40,9% eram inconsistências entre a topografia e a morfologia. Já os 49 casos não classificados pela Caaj, 89,8% eram neoplasias codificadas como clinicamente tumores malignos e 10,2% eram síndromes mielodisplásicas. É importante destacar que, diferentemente da Cici, que contempla as síndromes mielodisplásicas no seu grupo I – leucemias, doenças mieloproliferativas e doenças mielodisplásicas –, na Caaj, esse conjunto de neoplasias malignas não é classificado. Esses casos não classificados foram excluídos da análise, permanecendo 13.557 registros no grupo de 0 a 19 anos e 16.041 no de 15 a 29 anos.

2 São definidos como analíticos os casos em que o plano terapêutico, o tratamento e o seguimento são realizados pela unidade responsável pelo atendimento aos pacientes.

Classificações e codificações

Desde o ano de 2005, todos os RHC utilizam a CID-O3 (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2000. Reimpressão 2005; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2013). As informações da base de dados referentes à localização topográfica e ao tipo histológico dos casos de câncer foram convertidas, pela equipe técnica do INCA, segundo a Cici (terceira edição) para os grupos etários de 0 a 19 anos e o esquema da Caaj (2008) para a faixa etária de 15 a 29 anos.

Informações coletadas

As variáveis que compõem a Ficha de Registro de Tumor, as suas definições e os critérios de inclusão de casos podem ser obtidos na página do INCA, acessando o Manual Registros Hospitalares de Câncer – Planejamento e Gestão, segunda edição revista e atualizada, de 2010 (INCA, 2010). Apenas os RHC de São Paulo utilizam um sistema próprio para processamento eletrônico dos dados, disponibilizado pela Fundação Oncocentro de São Paulo (Fosp).

As variáveis que compõem a ficha estão listadas abaixo:

  • Identificação do paciente:
    • Número do prontuário hospitalar.
    • Número do documento de identificação civil.
    • Tipo de documento.
    • Nome completo.
    • Nome completo da mãe.
    • Sexo.
    • Data de nascimento.
    • Idade na data do diagnóstico.
    • Local de nascimento.
    • Raça/cor da pele.
    • Escolaridade na época da matrícula.
    • Ocupação principal.
    • Procedência.
  • Itens de localização do paciente:
    • Endereço permanente completo.
    • Telefone de referência do paciente.
    • Correio eletrônico para contato.
  • Itens de caracterização do diagnóstico:
    • Data da primeira consulta no hospital.
    • Data do primeiro diagnóstico do tumor.
    • Diagnóstico e tratamento anteriores.
    • Base mais importante para o diagnóstico do tumor.
  • Itens de caracterização do tumor:
    • Localização do tumor primário.
    • Tipo histológico do tumor primário.
    • Estadiamento clínico inicial segundo o TNM – Classificação de Tumores Malignos.
    • Estadiamento inicial.
    • Outro estadiamento.
    • Estadiamento TNM patológico (pTNM).
    • Localização de metástase à distância.
  • Itens de caracterização do primeiro tratamento:
    • Clínica do início do tratamento no hospital.
    • Data do início do primeiro tratamento específico para o tumor no hospital.
    • Principal razão para a não realização do tratamento antineoplásico no hospital.
    • Primeiro tratamento recebido no hospital.
    • Estado da doença ao final do primeiro tratamento no hospital.
    • Data do óbito do paciente.
    • Óbito por câncer.

Processamento

Foi realizada uma análise descritiva das bases de dados dos RHC, que coletam as informações a partir do prontuário do paciente e demais fontes, tais como atestado de óbito, sistemas informatizados disponíveis nos hospitais etc., preenchidas na Ficha de Registro de Tumor e processadas eletronicamente no Sistema de Informação de Registro Hospitalar de Câncer (SisRHC)3. Essas bases de dados são enviadas ao IntegradorRHC, sistema web que consolida e divulga as informações dos RHC. A base de dados utilizada foi aquela atualizada no Tabulador Hospitalar Público, em 30 de maio de 2016, que se encontra disponível em: https://irhc.inca.gov.br/RHCnet.

3 Programa desenvolvido pelo INCA, específico para utilização em RHC e distribuído gratuitamente para todos os RHC do Brasil.

I.2 Sistema de Informação sobre Mortalidade

A mortalidade é o tipo de informação mais frequentemente utilizada. Tanto por sua disponibilidade quanto por sua abrangência. As informações sobre mortalidade, obtidas por meio do recolhimento sistemático das informações dos atestados de óbito, são as mais simples e acessíveis para o estudo das condições de saúde de uma população.

A fonte das informações de óbitos por câncer é o SIM, do Ministério da Saúde. Desde sua criação, em 1975, as informações contidas nas declarações de óbito passaram a ser codificadas, tabuladas e divulgadas em anuários estatísticos do Ministério, de acordo com a CID, nona revisão (CID-9) (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1976). Em 1996, passou-se a utilizar a tradução da décima revisão em língua portuguesa para classificar as informações de mortalidade (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 1997). Portanto, as informações do SIM, de 1979 a 1995, são classificadas pela CID-9, enquanto, para o período entre 1996 e 2013, utilizou-se a CID-10. Para permitir a comparabilidade entre as informações apresentadas, foram usados os critérios de conversão entre essas duas edições da CID, preconizados internacionalmente.

A causa de óbito por câncer foi classificada de acordo com o órgão acometido, e optou-se pelos cânceres mais frequentes em crianças, adolescentes e adultos jovens: rim, osso, músculo, SNC, olho, leucemias, linfomas não Hodgkin (LNH), linfoma de Hodgkin e pele, os quais foram codificados de acordo com a CID.

Apresentam-se a seguir descritas as neoplasias malignas selecionadas.

Quadro A: Códigos de conversão da CID-9 para CID-10 para tumores selecionados
Localização primária do tumor CID-9 CID-10
Linfoma não Hodgkin 200; 202 C82-C85; C96
Linfoma de Hodgkin 201 C81
Leucemias 204-208 C91-C95
Osso 170 C40-C41
Olho 190 C69
Rim 189 C64
SNC 191-192 C70-C72
Músculo 171 C49
Pele*   C43-C44
Todas as localizações primárias 140-208/ 196-198 C00-C97; D46/C77-C79
*Somente para adultos jovens.

I.3 Referência populacional

As estimativas populacionais, tanto censitárias (1991, 1996, 2000 e 2010) quanto intercensitárias (1992, 1993, 1994, 1995, 1997, 1998, 1999, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2011, 2012 e 20134) utilizadas como denominadores para os cálculos das taxas, foram obtidas via Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) e fornecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As populações foram classificadas por faixa etária – menor de 1 ano, de 1 a 4 anos, de 5 a 9 anos, de 10 a 14 anos, de 15 a 19 anos, de 20 a 24 anos e de 25 a 29 anos.

A população padrão mundial utilizada nesta publicação foi a proposta por Segi (1960), modificada por Doll et al. (1966) e usada nas publicações da série internacional Cancer Incidence in Five Continents (Incidência de Câncer em Cinco Continentes) da Iarc. Tal população baseou-se em uma combinação das estruturas etárias de países desenvolvidos ou em desenvolvimento (IARC, 1995).

4 A população estimada para o ano de 2012 foi também utilizada para o ano de 2013, uma vez que a desse ano não se encontrava disponível quando da elaboração dos resultados.

Tabela B: População padrão mundial (Cici)
Índice Faixa etária Total
1 0 2.400
2 0-4 9.600
3 5-9 10.000
4 10-14 9.000
5 15-19 9.000
Total 0-19 40.000
Fonte: Doll et al. (1966).
Tabela C: População padrão mundial (Caaj)
Índice Faixa etária Total
1 15-19 9.000
2 20-24 8.000
3 25-29 8.000
Total 15-29 25.000
Fonte: Doll et al. (1966).


II. Análise das informações

As informações foram analisadas, utilizando-se os aplicativos Excel@, R (versão 2.3.1), R Studio (versão 0.99.903) e Joinpoit Regression Program (versão 4.3.1.0). Os resultados estão apresentados em tabelas e gráficos, segundo sexo, faixa etária, doença, e localização geográfica dos registros de câncer.

Para as informações sobre morbidade hospitalar, estão também apresentados os intervalos de tempo decorridos entre as datas da primeira consulta e do diagnóstico, do diagnóstico e do início do primeiro tratamento, e da primeira consulta e do início do primeiro tratamento. Para o grupo de crianças e adolescentes, de 0 a 19 anos, foi considerada a estratificação segundo a habilitação específica em oncologia pediátrica e as demais habilitações na alta complexidade em oncologia. Para o cálculo dos intervalos de tempo, foram considerados apenas os registros com datas válidas.


III. Métodos estatísticos

Distribuição percentual

Corresponde à frequência relativa do número de eventos (casos novos, morbidade hospitalar ou óbitos) de uma determinada localização primária com relação ao total de casos.

Percentual = número total de eventos de uma determinada localização primária x100
número total de eventos

Taxa bruta

A taxa bruta por 1 milhão de crianças, adolescentes e adultos jovens referese ao risco de ocorrência de um evento (casos novos ou óbitos). Traduz-se pelo quociente entre o total de eventos e a população sob risco. A taxa bruta é calculada por meio da seguinte fórmula:

Taxa bruta = número total de um evento num período definido x1 milhão
população de referência para o período definido

Taxa específica

A taxa específica por 1 milhão de crianças, adolescentes e adultos jovens refere-se ao risco de ocorrência de um evento (casos novos ou óbitos) em razão de um determinado atributo (idade, sexo, estado conjugal, nível socioeconômico etc.). Traduz-se pelo quociente entre o total de eventos por determinado atributo e a população sob risco. A taxa específica mais utilizada é a por idade, que é calculada por meio da seguinte fórmula:

Taxa específica = número total de eventos, por faixa etária, sexo e período determinado x1 milhão
população de referência, por faixa etária, sexo e período determinado

Taxa ajustada por idade

O ajuste da taxa de incidência ou mortalidade permite eliminar (ou minimizar) o efeito de diferenças etárias entre populações (ou na mesma população em períodos distintos), a fim de que diferenças geográficas ou temporais não possam ser atribuídas a diferenças na estrutura etária. O ajuste por idade, pelo método direto, é feito usando-se uma população padrão única, que funciona como um grupo comum de pesos para o cálculo de taxas ponderadas (ditas ajustadas ou padronizadas). A população padrão utilizada foi a população padrão mundial, já descrita anteriormente. A taxa ajustada por idade é calculada por meio da seguinte fórmula:

Taxa ajustada por idade = Σ (taxa específica por idade) x (população padrão mundial na faixa etária)
Σ população padrão mundial

Análise de tendência

A análise de regressão por Joinpoint foi utilizada para avaliar as tendências de incidência e mortalidade. O método envolve ajustar um conjunto de pontos lineares em escala logarítmica para obter variação anual. A direção e a magnitude dos resultados das tendências são descritas pela Variação Percentual Anual (APC, do inglês, Annual Percent Change); ou seja, pelo ângulo formado entre dois pontos de inflexão. Esse método é descrito em detalhes em Kim et al. (2000). Para facilitar a comparação e avaliar as tendências do período completo de informações disponíveis, utilizou-se a Variação Percentual Média Anual (AAPC do inglês, Average Annual Percent Change). A AAPC é estimada pelo cálculo da média geométrica ponderada das diferentes APC calculadas pelo método de Joinpoint com o peso igual ao tamanho do segmento para cada intervalo de tempo. Os termos acréscimo ou decréscimo foram utilizados quando a AAPC foi estatisticamente significativa; caso contrário, o termo estável foi utilizado. Foram calculadas as APC e as AAPC das taxas de incidência e mortalidade por tipo de câncer e por sexo, para crianças, adolescentes e adultos jovens.

Observação importante: Poderão ocorrer situações em que a taxa assumirá o valor zero e, portanto, seu logaritmo não será obtido. Quando isso ocorrer, mesmo que em único ponto da série histórica, não será aplicável a utilização da metodologia proposta. Essas situações serão observadas pela ausência do valor apresentado, em alguns gráficos e tabelas, nos quais o valor da tendência das taxas e a AAPC serão apresentados.

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